TRADUÇÃO: Camila fala sobre seu álbum de estreia para Coup de Main Magazine, NZ.

19 fev 2018

COUP DE MAIN: Nós amamos “Never Be The Same”! Encapsula perfeitamente aquela sensação de vertigem de se apaixonar. Você acha que o amor é a emoção humana mais forte?

CAMILA CABELLO: Obrigada! Eu realmente acho, acho que [o amor] controla tudo e, definitivamente, uma vez que ele se apodera de você, não há um sentimento maior, mas sinto que nem precisa necessariamente ser amor romântico. Pode ser amor entre amigos, amor entre sua família, amor por algo que você faz, pode ser amor que você sente quando entra em uma sala com pessoas com quem se sente segura e confortável, o amor pode ter muitas formas diferentes Mas definitivamente acho que é o mais poderoso.

CDM: Em ‘Something’s Gotta Give’ você canta sobre “emoções falsas” – o amor é a emoção mais difícil de fingir?

CAMILA: Sim, eu nunca poderia fingir isso. Sinto que machuca você fingir algo assim, sabe? E eu simplesmente me sentiria culpada.

CDM: Não há como sentir que seja certo mentir para alguém.

CAMILA: Com certeza.

CDM: “Ela ama o controle, ela quer do jeito dela / E não há como ela ficar, a menos que você desista”, e “não tente domar a tempestade”, são letras tão audaciosas, fortes e auto assertivas. Foi importante para você ter letras empoderadoras em seu álbum para suas jovens fãs?

CAMILA: Sim, absolutamente! A razão pela qual eu queria escrever uma música chamada “She Loves Control” é porque, antes de tudo, eu estava em um lugar na minha vida onde pela primeira vez eu estava [no meu] início dos anos 20 e você está tomando suas próprias decisões e vivendo sua vida da maneira que você realmente quer viver, e eu senti que eu tinha muito controle criativo. Eu tinha todo o controle sobre minha carreira, do meu tempo, dos meus dias, do que eu queria fazer, e era tão empoderador e eu me sentia tão bem e adorei a ideia de ter meninas jovens cantando com seus amigos “Ela ama o controle, ela quer do jeito dela”, e transformar nessa coisa poderosa que você decide quem você quer ser e como quer viver.

CDM: Se eu fosse uma menina mais nova, estaria tão feliz de ter alguém como você para me espelhar. Sinto que você empodera muito as meninas.

CAMILA: Isso é muito gentil! Obrigada, significa muito para mim. Sinto que quero tocar as pessoas. Música é algo que faço para mim mesma, é o que me faz feliz, mesmo que seja o que eu faço [como trabalho], ainda é meu hobby, então isso me faz feliz, mas quero inspirar as pessoas de maneira mais profunda do que só lançar músicas. Então sinto que é importante para mim… Eu realmente quero ajudar meus fãs.

CDM: “All These Years” aborda um sentimento tão universalmente relacionável – ainda manter um sentimento por alguém que pode sequer se lembrar que você existe. Como você consegue encerrar esses tipos de sentimentos e passar para a fase de ‘cura’?

CAMILA: Bem, sinto que às vezes também depende da sua situação, porque percebi que antes disso às vezes esses sentimentos que eu achava que tinha por uma pessoa podem ter sido romantizar o passado só porque estou sozinha agora, e às vezes você tem que se perguntar, ‘O que você realmente sente?’. Ou às vezes você meio que foge para essa ilusão, para algo que não é real, talvez para se proteger do presente e de algo que poderia ser real. Acho que você tem que se perguntar e avaliar, ‘Eu ainda sinto algo por essa pessoa?’. E se realmente realmente sentir, acho que é importante dizer, porque a vida é muito curta. Você já assistiu “Sex And The City”?

CDM: Alguns episódios, mas não fiz maratona de tudo.

CAMILA: Bem, Miranda e Steve, eles perdem tanto tempo porque se amam tanto. Ambos são um casal com outra pessoa e são tão obcecados um com o outro e ela leva uma eternidade para falar tipo, ‘Steve, eu te amo’, e eles desperdiçam tanto tempo, poderiam ter feito isso 10 episódios atrás e a vida é muito curta para não dizer o que você tem que dizer sobre pessoas.

CDM: Amo quanto a série te afetou.

CAMILA: Afetou mesmo! Acho que a pior coisa que pode acontecer é eles tipo, ‘Oh, eu não te amo mais, não me sinto mais da mesma forma’. Aí você tipo, ‘Bem, ok. Bom saber’. E segue com a sua vida.

CDM: O que passava na sua cabeça enquanto escrevia a música ‘Consequences’?

CAMILA: Basicamente, como essa música aconteceu foi… Ed Sheeran, que é meu correspondente por e-mail!

CDM: Sério?

CAMILA: Sim, eu sei! Loucura! Ele me apresentou a uma garota, Amy Wadge, com quem escreveu ‘Thinking Out Loud’ e nos colocou em contato e basicamente me introduziu ao conceito de “Consequences” e adorei, então sabia que queria no meu álbum. Trabalhei [na música] e senti tão profundamente… Essa música me remete a uma experiência na minha vida em que tipo “Never Be The Same”… É como uma sequência de “Never Be The Same”. Sinto que muitas das músicas poderiam estar em uma história, e todas as diferentes fases, e acho que ‘Consequences’ é a sequência de um amor que era intoxicante assim e é difícil de tirar da sua mente, ou do tipo de amor que você compara com todos e não é a mesma coisa.

CDM: Você explora muito esse tema no seu álbum.

CAMILA: Sim, exploro!

CDM: Parece muito honesto e genuíno.

CAMILA: Obrigada!

CDM: Em ‘Real Friends’ o verso, “Essa cidade de papel me decepcionou muitas vezes” é uma referência ao livro do John Green, ‘Cidades de Papel’?

CAMILA: Sim! Eu percebi isso quando escrevi o verso e gostei de qualquer forma. É sobre L.A. [Los Angeles] e esse humor em que eu estava enquanto escrevia o álbum, foram algumas coisas que aconteceram em sequência que me fizeram tipo, ‘Não quero mais tentar nessa cidade!’.

CDM: É, L.A. te desgasta.

CAMILA: 100%. Então me cansei de me decepcionar, e ‘cidade de papel’ parecia o jeito certo de descrever porque parecia um pouco vazia e falsa para mim, tipo unidimensional. E esse é um tema comum no álbum também, “In The Dark” tem essa vibe que sou praticamente uma hater de L.A. no meu álbum.

CDM: Como se sente [sobre L.A.] agora? Sente-se melhor?

CAMILA: Sinto que encontrei boas pessoas agora, então me sinto um pouco melhor, mas ainda não adoro.

CDM: Às vezes, parece que quando você fala com pessoas em L.A. tudo o que eles querem é saber que estão no seu telefone e isso é tudo o que querem.

CAMILA: Tipo, conseguir alguma coisa, ou saber o que está fazendo! Tipo, ‘O que VOCÊ está fazendo?’ Também acho que não há energia mágica aqui. Sinto que tem isso em Nova York, eu amo Nova York.

CDM: Fui a Nova York uma vez e senti que era tanta coisa, só queria ir para casa.

CAMILA: Eu sei, isso pode acontecer com certeza. Algumas pessoas dizem isso, mas, para mim, é mágica. Mas sinto que gosto de estar em um lugar que tenha mais energia ou mais coisas acontecendo do que no meu corpo. [risos]

 

CDM: O seu título original do álbum ‘The Hurting, The Healing, The Loving’ foi uma referência ao livro “Milk and Honey” de Rupi Kaur. Você teve outras influências literárias no álbum? Quais livros você está lendo atualmente?

CAMILA: Rupi Kaur é incrível, eu a amo. Na verdade, eu dei o livro ‘The Sun And Her Flowers’ para minha avó e minha avó adora. Minha avó é uma velha senhora cubana que fala espanhol; eu a amo. Eu gosto muito de Lang Leav, uma vibe similar. Eu amo Pablo Neruda. Adoro a poesia de amor! Eu tenho lido “Love In The Time of Cholera” há muito tempo, mas não terminei. É de um autor colombiano, seu nome é Gabriel García Márquez e é como uma história de amor clássica. É basicamente sobre duas pessoas que se apaixonam de longe quando têm 16 [anos] e esse cara, tudo que ele faz em sua vida gira em torno dela – tipo, ele consegue empregos específicos ou vai a lugares específicos apenas para encontrar-se com ela ou entrar em contato com ela, porque ele é pobre e ela é tipo da elite… Estou descrevendo da maneira mais não poética, a maneira mais moderna de descrevê-lo. Não consigo lembrar de que período é, mas é antigo. Seu pai quer que ela se case com um cara rico que está no mesmo nível social e ele está apaixonado por ela e ela se casa com esse cara rico, mas ela sempre… Estou na parte em que eles estão velhos, têm tipo 60 anos agora! É bem fofo.

CDM: Você é tão focada no amor! Mas é uma forma difícil de viver.

CAMILA: É mesmo! Na verdade, não sou [focada no amor] tanto quanto era antes. Antes, eu era tipo ‘Oh, quero me apaixonar, quero isso, e quero amor na minha vida,’ porque fiquei solteira por muito muito muito tempo. Digo, ainda meio que estou [solteira], mas não tanto… Eu estava solteira ao ponto de nem falar com ninguém, tipo nada, só morta por muito tempo, mas percebi como é legal e importante ficar sozinha. É importante você tirar um tempo para si e descobrir quem você é e o que você quer, porque aí quem quer que venha na sua vida, você não é “influenciada” por isso e ainda é você. Quando eu era mais nova, era mais difícil ser assim, e acho que agora, por eu ter passado tanto tempo sozinha, não importa com quem eu saia, sempre sou eu mesma e não importa [com quem eu esteja]. Acho que um tempo sozinha é definitivamente importante.

CDM: A próxima pergunta é do Matt Beckley, que trabalhou com você no seu álbum: Foi importante para você estar muito envolvida no processo de escrever o álbum? Acha que o sucesso dele reflete a quantidade de si mesma que você coloca nas músicas, ao contrário de somente cantar músicas enviadas para você já prontas?

CAMILA: Eu amo ele! Espera. Como fizeram isso?

CDM: Eu o conheço, conheço um amigo dele que está na mesma banda.

CAMILA: Você é tão legal! Você é uma pessoa tão legal, tipo gentil. Estou obcecada por ele. Eu o amo muito. Ele é a pessoa mais gentil e está sempre me mandando mensagens. É o melhor e o amigo que mais dá apoio. Acho que as pessoas não são idiotas e conseguem saber quando algo é manufaturado e dado a você, e sabem quando há coração e sabem quando algo é ‘você’ e quando algo é ‘a gravadora’ – as pessoas conseguem saber. Eu conseguia saber, foi o que me fez ser fã das pessoas que sou fã e o que me faz não ter interesse em outras pessoas, então acho que isso definitivamente desempenha um papel pelo menos no porquê de meus fãs estarem gostando das músicas, é porque me conhecem e sabem que a garota que está dando essa entrevista a você é a mesma garota que está nas músicas. Torna as coisas reais e realidade é tudo.

CDM: Você tem planos de voltar à Nova Zelândia com turnê do seu álbum solo?

CAMILA: Eu amo a Nova Zelândia! Eu adoraria [voltar], comi comidas ótimas lá, mas queria ir à praia – queria ir às praias famosas do ‘Senhor dos Anéis’!

CDM: Por último, seus fãs queriam que perguntássemos, você se sente feliz, saudável e hidratada?

CAMILA: Eu os amo! E sim, não e não. Quero dizer, estou saudável, mas ando comendo bem mal ultimamente.

 

Fonte: Coup de Main Magazine

Tradução e Adaptação: Equipe CCBR.

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