Pitchfork faz seu review do “CAMILA”.

17 jan 2018

O site Pitchfork, considerado um dos mais assustadores, quando se trata de reviews de álbuns, famoso por dar notas baixas e raramente serem impressionados, deu a nota de 6.8/10 para o Camila. Confira a review traduzida abaixo:

Quando um membro empreendedor de um grupo pop começa a sonhar com o sucesso solo, eles tem que se reintroduzir no mundo. Se eles tem a visão e os nervos para sobreviver além de sua máquina hit-maker, eles montam um trilho para eles em seus próprios termos; se eles vem com algo pequeno, eles são renegados a lixo histórico. A faixa quente e com um toque de salsa “Havana” de Camila Cabello é a chave para a história de origem da super estrela: lançando-se após uma amarga separação de suas colegas de grupo no Fifth Harmony, Cabello percebeu suas ambições criativas com um smash que celebra sua descendência cubana e ajudou a definir um ano em que a música latina está em crescimento.

É claro, carreiras pop raramente vencem com esse tipo de elegância, e o crescimento de Cabello no topo dos charts foi um pouco mais complicado. “Havana” começou sua corrida como um single promocional de verão humilde, sem apoio da gravadora e das rádios. Foi jogado nos serviços de streaming alguns meses depois de sua primeira tentativa de debut com “Crying In The Club” enrubescido no top 50. E “Crying In The Club” falhou nas expectativas porque parecia que Cabello estava cantando, nota por note, uma demo da Sia. Falhou na qualidade que sai de “Havana” como: história, personalidade e carisma. A tensão entre os dois futuros em potencial de Cabello – um lugar no alto escalão do pop ou uma década gasta produzindo colaborações – é o que anima Camila, seu álbum de estreia solo.

O gosto de Camila pelo drama sempre foi sua maior força. Nunca foi difícil de escolher ela entre o Fifth Harmony e quando foi dada a chance, ela mastigou o cenário como um ator antigo. (Escute ela no bridge de “Write on Me.”) Suas performances em duetos que lançaram ela como uma candidata a carreira solo – a faixa “I Know What You Did Last Summer” e “Bad Things” com Machine Gun Kelly – beira em histriônico, e não é uma coisa ruim; a intensidade emocional de seu canto compensa o volume e densidade da faixa.

Camila brilha quando está claro e ventoso, dando a Cabello o espaço que ela precisa para cozinhar. “All These Years” e “Real Friends” são gentis e acústicas com uma pista de Jai Paul, e Cabello canta com uma delicadeza real sobre perder amor e solidão. (Os vocais que correm no meio de “All These Years” são lindos.) “She Loves Control” é uma declaração de missão para uma estrela que azedava em uma vida de grupo porque ela não podia “explorar sua individualidade”, e mostra que Cabello pode navegar no ritmo reggaeton com a mesma facilidade do que em “Havana“. Ela alterna sem esforço entre inglês e espanhol na brilhante “Inside Out“. São essas músicas que fazem do “Camila” um grande argumento de Cabello como uma força única, que pode despejar híbridos pop que se encaixam perfeitamente em um clima pop e uma mudança country.

Quando o álbum hesita, é porque perde um pouco a identidade. Seus roncos e soluços do novo single “Never Be The Same“, mas seu conceito de dependência em um amor-droga sugere uma escritora nova que tem espaço para expandir seu alcance. (Cabello trabalhou com uma produção liderada por Frank Dukes, mas sua escrita em cada música sugere notas férteis do seu celular). A faixa sobrecarregada “Consequences” – que parece uma tentativa de “Stay” da Rihanna – e “Something’s Gotta Give” levam o álbum para um rastejamento. E quando Camila mostra os tópicos do mundo pop, os resultados são variados. A faixa flerte “Into It” encontra um espaço doce entre algo como um diagrama Lorde-Carly Rae Jepsen-Ariana Grande, mas “In The Dark” é a faixa pop genérica que você pode esperar de estrelas com nota B e C. É um corte da Bebe Rexha.

Nenhuma dessas músicas são falhas miseráveis; meia década em um grupo como Fifth Harmony é um campo de treinamento pop, um que não ajuda mas te equipa com proficiência. Se elas são frustrantes, é porque se justapôs com vislumbres tentadores de uma próxima geração de estrelas, o tipo de artista com a presença e charme para carregar o pop para uma nova década. Talvez esse seja o maior elogio que você pode dar ao Camila: joga faíscas suficientes para justificar que esperávamos mais.

 

Fonte: Pitchfork

Tradução/Adaptação: Equipe CCBR

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